"E tudo chega ao fim. E tudo tem um final. É incontestável o triste fim das coisas, é dramática a forma com que as pessoas reagem ao fim inevitável das coisas. Coisas que na sua essência foram belas, mas que o tempo se encarregou de dizimar com influências absurdas. mas não culpo o tempo, aliás não culpo ninguém. não culpo muito menos a mim mesmo, por ter de recomeçar denovo. Sinto falta sim, de momentos apaixonados, mas a impossibilidade das coisas me deixa conformado. Sinto falta, acima de tudo, de tudo que me toca de verdade. sinto vontade de sentir alguma coisa. Inevitável também foi tua presença e tua ausência, não vou mais falar de ti. Vou falar da minha parte que se constrói nos outros. Vou falar da minha presença essencial nos outros. Da minha entrega total no interior da alma dos outros. E no vazio que sinto em mim por não ter mais ninguém. Vazio que machuca, embora eu tenha aprendido que eu tenho que ser maior que tudo e que todos em que eu habito. Vazio por sentir ausência das pequenas coisas impossibilitando limitações. Vazio também por não encontrar belas coisas em que habitar. Vazio por não poder silenciar. Sim, o vazio é cheio de corrupções. Vazio é cheio de imagens sãs, imagens afogadas no interior de mim. Incertezas prometem não corromper mais minha ilusões. Presença de possibilidades inadequadas. Presença de ritmos sustentados por desejos proibidos. Sentimentos de total entrega, numa confiança-além-vida. Numa confiança dou-a-vida-por-você. Sentimentos de voar mais pra próximo de alcançar batalhas que eu julgava perdidas. Aprender faz parte do tempo, aprender faz parte da vida, e influências são precipícios onde a única presença é a ausência. Não existe melhor lição do que perceber que realmente somos únicos, e que nossa própria vida é nosso mundo ao redor. Influências são pensamentos do avesso, são resistências cedidas por uma pressão contínua de valores e morais. Incertezas? Aceitar é uma incerteza. Perceber é uma incerteza, e conhecer não passa de uma comprovação de certezas. Influências já não existem mais, impossibilidades já foram quebradas. Idéias já foram plantadas, e florescem nas manhãs em que o que mais importa é viver. e não existe paixão sem sofrimentos e dores sem amor. è preciso de paixão, pra poder encontrar níveis diferentes de amor.A única coisa que nos resta é viver todo o resto da vida tentando amar. Seguro de si, e de mim, eu preciso reconhecer cada manhã de paixão. Sem medo de aproveitar as várias primaveras e sonhos existentes entre nós. Sem perder as lágrimas da segurança que existem pelo caminho. Sem poder delimitar mais do que um simples paradoxo de razões vazias. E perceber que pra ganhar basta perder alguma coisa. E algumas idéias. E algumas razões.Existe mais do que uma emoção, a lagrima da redenção. Existem muito mais do que algumas razões, justamente por serem tão incertas, de tão sublimes. E repetições não fazem parte da vida das pessoas então elas são forçadas a terem impasses e imposições. Eu preciso de mais força e atenção. Na verdade, eu não preciso de nada que seja impossível. na verdade, o vazio não irá chegar porque não existe esperança. O que se toma de passagem é o lucro da atividade que foi feita. Torneando bem a vida, veremos que cidades e sonhos foram construídos de idéias e passagens. E muito sofrimento. Com razões para serem lembrados até o fim, com liberdade para alcançar o céu, e aí perder a fúria com que foram criadas. Constante, o tempo serviu para criar, cada vez mais, a verdadeira face da outra pessoa, que a cria com outra idéia. Com mais valor, com mais peso, podemos então sentir a leveza das coisas. O "ser ou não ser" das idéias é a forma de criação delas. Se surgirem de lugares onde a solidão emana amor, torna-se uma coisa cada vez mais bela e mais viva, torna-se a leveza da idéia do amor.
Amor esse que exige outras razões para respirar. Outras razões para sentir a leveza de dançar com os pés no ar. Ar que faz a vida acontecer e se apaixonar. Não existe medo capaz de traduzir a leveza do amor.É como fechar os olhos para tentar decepcionar o pensamento e respeitar o coração.É poder, de vez em sempre, levitar com o coração leve, só esperando a vida se transformar nas pretensões que o mundo promete. E onde entram as idéias, que delas eu já nem sei mais o paradeiro?E onde encontrar relções por não sentir saudade de alguma coisa que se ama? Não pretendo mais amar:alguma coisa não se salva e acaba morrendo. Como viver? Se amorte é o fim, e dele todos são vítimas, porque afinal é preciso amar pra poder morrer. é preciso corromper todos os bloqueios e resistências do amor. é preciso fazer nascer todos os velhos brilhos, e fontes de vida, pra poder resistir aos tentáculos da morte. Morte sim, deixar de amar nunca, pois a esperança do amor foi construída com força. E a morte não basta pra destruir a vontade que nasceu de amar."